quarta-feira, 13 de maio de 2009

Considerações vertiginosas - Miopia


Não menosprezando os sofredores desta condição oftalmológica, a miopia é a doença crónica da nossa sociedade, que não é vítima mas que se auto-inflige, que escolhe não ver, que esconde a Visão sob o manto de ignorância e frivolidade diárias.

Mas como não questionar o exibicionismo, a invasão descarada dos media, a manipulação, a passagem de “modelos” (?) políticos na territorial passerelle onde, entre distribuições de “Magalhães”, anúncios de estradas dupli(ou tripli)cadas, “bênçãos” governamentais de escassos ( e frágeis) postos de trabalho como se milagres da multiplicação se tratassem?

Ou… que tal colocarmos um ponto de interrogação no fim de cada pomposa decisão no investimento público e dos milhões comunicados, distribuídos, semeados, sem estudo que não o do showoff?

Nada contra investimento público, mas comparando o nosso “modelo” (existirá?) de investimento( supostamente moderno e adequado, seguindo o de países como França e Alemanha) podemos chegar, com muita facilidade, à conclusão que isto é uma deturpação completa.

Confesso-me seguidora e admiro Nicolas Sarkozy, presidente francês. Eternos revolucionários, os franceses são muito semelhantes aos lusitanos nas suas alergias a reformas. Mas o seu presidente, prometeu e pôs em prática a la rupture; mesmo enfrentando baixos níveis de popularidade continua reformas e implementou um modelo de relance económico que é, na minha modesta opinião, o melhor da Europa que, se verá no final desta crise, irá restituir o poderio e brilho francês, perdido na última década.

Voltando ao fio condutor, clamo que abram os olhos, que não se façam de Cegos, que tenham respeito por quem realmente vive na escuridão visual;

Que não se escolha o imobilismo, a passividade…Não quero ser peão, não me cerrem os Olhos!

Vertigem de Ouro


Atribuo a vertigem de ouro a este artigo de João Miguel Tavares, com esta deliciosa consideração:

"devemos ser o país do Ocidente onde os ministros mais desfilam pela televisão, com cada espirro legislativo e cada tabuleta descerrada a merecer ampla cobertura mediática."


João Miguel Tavares, DN

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Confissões em Altura - “Graças a Deus”


Expressão tão usual…
Deus é o apogeu da eficiência, todos lhe devemos tudo… Já não há mérito próprio, foi transferido para quem nos “dá” tudo, quem nos generosamente concede tudo, tudo menos a liberdade de nos auto-premiarmos, da palmadinha nas costas, do sorriso quente e satisfeito na conquista de mais um degrau.


“Passei no exame, graças a Deus”,
“muito sucesso, graças a Deus”,
“bom estudante, graças a Deus”.

Proponho como desafio que façamos uma pausa de nós na nossa vida. Agora Deus que faça o resto, o que tem vindo a fazer, sendo nós apenas incómodos na sua tarefa.

Desconfio que esta expressão seria varrida do nosso vocabulário, varrida a custo da total desintegração da tal vida abençoada, mas teríamos um acordar mais puro, limpo pelo nosso valor.

Livros sugeridos? (Não prefaciei nenhum, mas: )

O Estrangeiro, Albert Camus
A Trilogia de Nova Iorque, Paul Auster

Confissões em Altura - Intro

Sou apenas uma personagem de ficção. True.

Mas não há maior liberdade do que ser apenas isso. Uma personagem, uma boca emprestada pela qual, esta que me escreve, pode, sem inusitados convénios sociais, proferir o que lhe apetecer. Portanto, sai uma crítica para a mesa 3!

Façamos deste espaço umas “Opiniões do Professor Alexandre”, o professor Marcelo merece férias…