segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Regressos & Reingressos


Vou escrever esta missiva sem olhar para trás, sem clicar em "Rascunho" e rever mais tarde.

Todos os regressos são partidas frustradas.
Todas as partidas são regressos abortados.

Mas é no momento do regresso que procuras esquecer o que ficou para trás e ingressar. Talvez o regresso deva ser um reingresso... Uma nova entrada, uma nova visão na passagem da soleira da porta para o mesmo mundo para o ambiente de sempre, os braços abertos para saudar quem te espera, mas braços tatuados pelas agulhas do portal de transição.

Pretendes mostrar essas tatuagens, exibi-las, Encobertas, apenas visíveis a quem partilha contigo essa luz reveladora do que foi e do que volta, do que ficou Além e do que transpôs as fronteiras de Ti.
A cada viagem uma melodia, um comboio industrial , pesado e concreto, que te protege do vento, do fracasso, da Vontade do que ficou para trás, daquela lusitana saudade, o teu cordão umbilical que te conecta inexoravelmente aos que restaram mas não são resto em Casa. Mas quando a melodia te falha ou te soa a ferida dissimulada que só te aquecia porque era sangue que jorrava e que só agora descobres, coagulado junto ao corpo, todo o regresso é indesejável porque paraste na estação errada e descobres que ninguém te espera e podes baixar os abraços porque ninguém tens para abraçar.




Reingressemos. Mas antes de partir façamos questão de deixar quem nos acolha, quem nos devolva ao nosso mundo e ria das fotos e marcas que ingressaram (essas sim, incólumes e virgens, pela primeira vez expostas à lufada de outros ares) connosco. Para rasgar álbuns novos e antigos bastamos nós, não precisamos de partir e regressar para encontrar o desolado deserto que fica com certeza que é ainda verdejante, mas apenas fotogénico campo.




quarta-feira, 13 de maio de 2009

Considerações vertiginosas - Miopia


Não menosprezando os sofredores desta condição oftalmológica, a miopia é a doença crónica da nossa sociedade, que não é vítima mas que se auto-inflige, que escolhe não ver, que esconde a Visão sob o manto de ignorância e frivolidade diárias.

Mas como não questionar o exibicionismo, a invasão descarada dos media, a manipulação, a passagem de “modelos” (?) políticos na territorial passerelle onde, entre distribuições de “Magalhães”, anúncios de estradas dupli(ou tripli)cadas, “bênçãos” governamentais de escassos ( e frágeis) postos de trabalho como se milagres da multiplicação se tratassem?

Ou… que tal colocarmos um ponto de interrogação no fim de cada pomposa decisão no investimento público e dos milhões comunicados, distribuídos, semeados, sem estudo que não o do showoff?

Nada contra investimento público, mas comparando o nosso “modelo” (existirá?) de investimento( supostamente moderno e adequado, seguindo o de países como França e Alemanha) podemos chegar, com muita facilidade, à conclusão que isto é uma deturpação completa.

Confesso-me seguidora e admiro Nicolas Sarkozy, presidente francês. Eternos revolucionários, os franceses são muito semelhantes aos lusitanos nas suas alergias a reformas. Mas o seu presidente, prometeu e pôs em prática a la rupture; mesmo enfrentando baixos níveis de popularidade continua reformas e implementou um modelo de relance económico que é, na minha modesta opinião, o melhor da Europa que, se verá no final desta crise, irá restituir o poderio e brilho francês, perdido na última década.

Voltando ao fio condutor, clamo que abram os olhos, que não se façam de Cegos, que tenham respeito por quem realmente vive na escuridão visual;

Que não se escolha o imobilismo, a passividade…Não quero ser peão, não me cerrem os Olhos!

Vertigem de Ouro


Atribuo a vertigem de ouro a este artigo de João Miguel Tavares, com esta deliciosa consideração:

"devemos ser o país do Ocidente onde os ministros mais desfilam pela televisão, com cada espirro legislativo e cada tabuleta descerrada a merecer ampla cobertura mediática."


João Miguel Tavares, DN

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Confissões em Altura - “Graças a Deus”


Expressão tão usual…
Deus é o apogeu da eficiência, todos lhe devemos tudo… Já não há mérito próprio, foi transferido para quem nos “dá” tudo, quem nos generosamente concede tudo, tudo menos a liberdade de nos auto-premiarmos, da palmadinha nas costas, do sorriso quente e satisfeito na conquista de mais um degrau.


“Passei no exame, graças a Deus”,
“muito sucesso, graças a Deus”,
“bom estudante, graças a Deus”.

Proponho como desafio que façamos uma pausa de nós na nossa vida. Agora Deus que faça o resto, o que tem vindo a fazer, sendo nós apenas incómodos na sua tarefa.

Desconfio que esta expressão seria varrida do nosso vocabulário, varrida a custo da total desintegração da tal vida abençoada, mas teríamos um acordar mais puro, limpo pelo nosso valor.

Livros sugeridos? (Não prefaciei nenhum, mas: )

O Estrangeiro, Albert Camus
A Trilogia de Nova Iorque, Paul Auster

Confissões em Altura - Intro

Sou apenas uma personagem de ficção. True.

Mas não há maior liberdade do que ser apenas isso. Uma personagem, uma boca emprestada pela qual, esta que me escreve, pode, sem inusitados convénios sociais, proferir o que lhe apetecer. Portanto, sai uma crítica para a mesa 3!

Façamos deste espaço umas “Opiniões do Professor Alexandre”, o professor Marcelo merece férias…

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Confidências em altura


Ontem, um evento especial. Uma entrevista descontraída mas extremamente gratificante com alunos do 11º ano da Escola S/3 de Latino- Coelho (o meu berço educacional).


No entanto, os alunos esperavam uma senhora cinquentona (porventura, com memórias saudosas dos uniformes e crucifixos nas paredes) e encontraram uma recém-partida daquela casa... Irónico e revelador da mordaça de idade imposta à nossa Escrita.


Nota bem destacada para a disciplina na qual foi realizada - Literatura Portuguesa. Gáudio meu a existência desta disciplina, sinal de esperança? Uma chama que embora trémula teima em resistir, a nossa Língua ainda conquista, o âmago lusitano é impregnado por grandes descobertas mas todas elas partem destas pequenas revelações, a cada página lida e analisada.

Sim, ontem foi um bom dia


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pura publicidade


Tudo é falso, tudo finge. Toda a vida é um percurso, ascendente ou descendente. Existe medo, existem metas e patamares. E de todas elas conseguimos observar o chão, por vezes tão longínquo e rígido. Vertigem – sentimos.

Vertigem é isso. É um voo rasante contra tudo e contra todos. Uma história empolgante sobre uma personagem comum e comum a todos nós. Alexandre existe em cada esquina, em cada grito de liberdade, em cada casa. Lutador e viciado pelo cinzentismo dos dias, procura ao longo dessa viagem o seu lugar no mundo e em si, contra todas as concepções, tudo o que se tinha como verdadeiro. Só para lembrar, que nem sempre o elevador pára no último andar.

A nova degradação humana no séc. XXI, uma história arrojada, num estilo refrescante e contemporâneo em que a realidade desfila perante os nossos olhos, sem complexos nem pudores, um retrato impressionante da paisagem psíquica e da percepção humana sobre a qual somos observadores, a cada página, a cada fôlego.

Pela Chiado Editora.

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